Quarto Dia – 29 de julho

Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010.

DIÁRIO

Hoje é o último dia de nossa ações por aqui. Ainda teremos a tradicional festa da comunidade na sexta-feira à noite, onde fazemos as despedidas e trocamos os últimos abraços. Mas o dia de hoje já tem o gosto estranho da despedida, da saudade, da ausência, mesmo em meio à muita presença.
No devocional de hoje, o grupo que estava no seminário conversou sobre essa mística da presença na ausência. Só se fazem presentes em nossas vidas, independente da distância, aqueles que de fato amamos. E, tenham certeza, esse é o sentimento que temos por muitos aqui do Borel, principalmente aqueles de nós que já estamos aqui pela quarta, quinta, sexta vez.
Hoje é aquele dia em que servimos as pessoas e, quando se levantam da cadeira onde se corta o cabelo, da mesa onde se faz as unhas, da salinha onde se conta a história, da mesa onde se compartilha o pão, os abraços são mais demorados e os olhos perdem para as lágrimas. Muitos desses que passaram por nossas mãos talvez não vejamos nunca mais.
E qual é a impressão que esperamos que tenham de nós? A de que pessoas que amam um tal de Jesus Cristo e que se parecem com Ele, andaram por aqui e deixaram do seu perfume no Morro do Borel.
E qual a impressão que levamos daqui? A de que não viemos trazer Jesus, porque Ele já estava por aqui. Viemos nos encontrar com Ele. E nos encontramos!

Visual da Chácara, lado direito

Parte da equipe feminina

Maytê

Amigos e parceiros do MJPOP, projeto apoiado pela Visão Mundial

AÇÕES

KIDS GAMES – Terminamos nossas atividades com as crianças com duas edições do Kids Games, um trabalho baseado em jogos cooperativos que visa a incentivar a mutualidade em detrimento da competição. Contamos com a ajuda do Gérson, um ex-integrante do projeto Radical África. Trabalhamos na Chácara do Céu pela manhã e no “Brizolão” à tarde. Foi muito difícil descer da Chácara ao final da programação sabendo que não voltaremos ali tão cedo. As sementes foram lançadas nos corações deles e nos nossos. Que floresçam a 30, 60 e 100 por um…
O Kids do Borel foi uma grande festa. As crianças descem todas juntas, no meio de nossa equipe. Ë uma cena linda. Crianças barulhentas e cheias de vida descendo a ladeira. Muito interessante vê-los nos chamando pelo nome. Eles elegem seus “tios” e “tias” preferidos e ficam pendurados nas mãos, pernas, ombros. E como tem muita criança, nenhum tio se sente preterido. Tem carinho pra todo mundo.
OFICINAS – Atendemos na Chácara com a Priscila Casareggio e equipe e também com a Késsia. Os alunos do Borel subiram para terminarem junto com os da Chácara os seus artesanatos. Esperamos que tais aulas movimentem a criatividade dos alunos e dê a possibilidade da geração de renda. Um aluna da Késsia perguntou se ela morava muito longe. Késsia disse que sim, mais longe do que ela imaginava (ela mora na Itália) e perguntou o porquê da pergunta, ao que ouviu: “vou usar tudo o que aprendi aqui para fazer as coisas para meu bebê (ela está grávida de 7 meses) e queria que você viesse para ver tudo no chá de bebê.”
SALÃO DE BELEZA – Separamos o dia de hoje para atendermos às missionárias da JOCUM e as meninas da Igreja Batista Peniel que foram voluntárias conosco nas E.B.F.’s. É sempre muito bom servir aos que servem. A Fátima, missionária mais velha da JOCUM, parecia uma “madame”, tinha uma pessoa fazendo o pé, outra a mão, outra o cabelo. Essas irmãs merecem muito mais do que isso. Merecem todo nosso respeito e admiração. Fazem tudo o que fazem por amor e por um senso apurado de chamado. Lavar os seus pés é um grande privilégio.
MEIO-AMBIENTE – Samuel e Maytê saíram para sua última caminha pelo Morro. Já vemos os cartazes que trouxemos em várias portas e estabelecimentos. Além disso, as caminhadas “pedagógicas” dos dois, mostrando para as crianças o que e como devem fazer, foram muito produtivas. Se queremos cooperar com a mudança de uma realidade de muitos anos, devemos começar pela reeducação de nosso pequenos. Foi isso o que tentamos fazer.
DENTISTA – O Alexandre continuou seu atendimentos hoje, nos dois períodos. Como escrevemos ontem, vamos investir na profilaxia no ano que vem e inserir uma oficina de escovação dentro da E.B.F..
PALESTRAS PARA ADOLESCENTES – fizemos hoje um ciclo de palestras para os adolescentes da comunidade. Os temas foram: “áudio e vídeo”, “eu posso mudar o Borel”, “papo aberto sobre relacionamentos” e “dança de rua”. Ficamos impressionados com a quantidade de adolescentes que apareceram e com a atenção que deram aos conteúdos. Cada oficina produziu algo para exibirmos na festa da comunidade, que acontecerá amanhã à noite. Contamos com a parceria especial de um grupo chamado MJPOP , formado por meninos e meninas que idealizaram um projeto de transformação estrutural à partir de realidades carentes em parceria com a Visão Mundial. O legal desse projeto é o fato de que seus idealizadores foram crianças atendidas em projetos da Visão Mundial.
FESTA DOS ADOLESCENTES – Organizamos uma festa para os adolescentes que participaram das atividades durante a semana. A decoração ficou linda, com jogo de luz, projeções de vídeos esportivos, luz negra, música ao vivo, samba, funk (ai…), snacks, coctailzinhos (sem álcool). Antes de abrirmos as portas, a rua já estava cheia de adolescentes muito bem arrumados para a festa. Quando abrimos, alegria geral. A festa durou até a meia noite e foi muito divertida. Tivemos a participação de uns 100 adolescentes.

Artesanatos

As havaianas que vocês doaram


Tia Any e Tio Salsicha


O que uma mulher não faz para ficar mais bonita ?!

PONTO BAIXO
A descida do Morro hoje. Sabemos que voltaremos para nossas realidades e que as coisas aqui continuarão muito parecidas. No sábado, nossos pés não estarão mais no morro mas, tenha certeza, grande parte de nossos corações ficará por aqui.
PONTO ALTO
Não somos, nem seremos mais os mesmo depois desses dias aqui. Isso está nítido nas conversas e nos devocionais. Achávamos que mudaríamos algo no Borel mas, na verdade, nós fomos os transformados nessa história toda. Reconhecemos e aceitamos isso com muita gratidão ao Espírito.

Reflexão e oração


Carol não sabia fazer alisamento quando chegou. Fez mais de 30 aqui...


Campeonato de Futebol

O juiz sofreu muito

Time campeão


Time campeão


Subida da ladeira: É campeão!!!

CENA DO DIA
Reencontramos duas crianças que conhecemos de forma muito triste no ano passado. Grazi e João Vítor sofriam violência de um tio viciado em drogas. No ano passado, o Rogério levou o caso à cabo. O resultado foi a expulsão do tio do Borel. Quando os vimos nesse ano, ficamos muito felizes. Perguntamos pela mãe deles. Não responderam nada. O menino agarrou na mão do Fabricio e desceu com ele para o “Terreirão” (área central do Borel). O Fabricio continuou a perguntar pela mãe dele, ao que respondia: “tá ali, tá ali” mas o “ali”’ nunca chegava. Foi quando o Rogério foi procurar a avó do menino. Ela disse que a mãe havia fugido dali por conta do vício em craque, que os meninos, Grazi e João Vítor, “sobraram” pra ela mas como trabalhava, os deixava no morro sozinhos até a noite. Grazi cuida do João Vítor. Ela tem 8 anos, ele 4. A vó ainda acrescentou: “se quiserem levar, fiquem à vontade”. Isso foi duro demais para terminar nossa estada no Borel. Duas crianças que continuarão sozinhas, alimentando-se do que ganharem dos vizinhos, perambulando pelos becos do Borel sem nenhuma esperança aparente e experimentando cedo o sabor do fel.
Perguntamos, onde está Deus? Qual a esperança pra esses meninos? A única resposta que nos vem à mente é: Deus está em nós e nós somos Sua resposta para os dilemas da humanidade. Que a autoridade do Cabeça, Jesus de Nazaré, baseada no amor, em vistas da justiça, chegue para a Grazi e o João através de nós, sua Igreja.

Triste realidade depois das chuvas

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Terceiro Dia – 28 de julho

Rio de Janeiro, 28 de julho de 2010.

DIÁRIO

Dizer que o tempo passa muito rápido não é um chavão, ele passa mesmo. Principalmente quando estamos envolvidos numa série de atividades que acontecem em vários locais simultâneos, atendendo um sem número de pessoas. Alguns de nós paramos para conversar hoje com o Jovino Neto, líder da base da Jocum no Morro do Borel. A conversa foi sobre como manter a vida dessas ações, de forma que não se configurem em ativismo, ações sem base reflexiva e sem potencial de transformação. Chegamos a duas conclusões. A primeira é que quem participa efetivamente dos processos de transformação da realidade na comunidade do Borel é quem mora aqui, quem fez daqui a sua casa, no caso, os missionários da Jocum e a própria comunidade. Mas e quanto a nós??? Ainda temos a segunda conclusão. Podemos, sim, participar dos processos de transformação dessa realidade através de nossas ações e atitudes, apoiando os missionários da Jocum , dizendo que não estão sozinhos, que, de perto e de longe, estamos juntos. Além disso, o Reino de Deus não é algo geográfico, um reino que se estende em fronteiras. Ele é um acontecimento. Sempre que a vontade de Deus é feita na terra, como nos céus, que a autoridade de Cristo e exercida através de nossos atos de amor e de justiça, que as pessoas podem ver as nossas boas obras e glorificar ao nosso Pai que está nos céus, o Reino de Deus acontece. Em cada oferta de amor para e dessas crianças aqui nesses dias, em cada mulher que tem sua auto-estima renovada e é lembrada do quanto é bela e amada, em pessoa que, de alguma forma, é restabelecida em sua dignidade, resulta num lampejo do que é o Reino de Deus, um acontecimento parcial agora, no tempo e no espaço, que se consumará de forma perfeita e plena na eternidade, onde o Borel será uma doce lembrança.

Crianças da Chácara do Céu


Amigas, voluntárias da Igreja Batista Peniel. Comunidade, servindo a própria comunidade

AÇÕES

Salão de beleza – atendemos quase 200 mulheres, contando com o apoio do Wanderley e 3 pessoas de sua equipe e de profissionais da comunidade. Isso é muito rico, termos profissionais da própria comunidade servindo na comunidade;
E.B.F.’s – foi o último dia das histórias e gincanas. Amanhã teremos um Kid’s Games, uma programação de jogos cooperativos para todas as faixas etárias. Hoje, principalmente na Chácara do Céu, as crianças estavam muito atentas e carinhosas. A barreira do desconhecido foi quebrada e, de alguma forma, nos sentimos parte também dessa comunidade;
Mutirão ambiental – Samuel e Maytê continuam suas andanças pelo Morro. Maitê é disciplinada, termina e fica aqui no “Terreirão” cercada de meninas. Samuel parece uma criança, faz sai catando lixo, se perde. Hoje ele nos relatou que um menino, depois de ver um lixo no chão, chamou a atenção de quem jogou, ele mesmo pegou o lixo, colocou no lugar e disse que isso não pode ficar no chão porque gera doença;
Oficinas – além do biscuit, começamos a de colar e chinelos hoje, com lotação total. Precisaremos comprar mais material amanhã. A Priscila Casareggio chegou com sua “trupe” e assumiu essa nova frente;
Dentista – contamos hoje com a presença do Alexandre Horvath, irmão do Pedro e do Toninho que também fazem parte da equipe. Ele já identificou que o grande problema aqui são as cáries geradas pela falta do mínimo de higiene bucal e que isso se resolve de forma mais efetiva através da prática da escovação, é claro. Já estamos pensando numa oficina bem didática para as crianças e de um tratamento preventivo com flúor;
Campeonato de futebol – Mais uma vez não conseguimos a liberação para o uso do “Brizolão” e fizemos o campeonato na quadra do aterro, no Borel mesmo. Desceram 3 times da Chácara do Céu, o que, pelos relatos passados foi um grande avanço. No final aconteceram alguns desentendimentos entre o próprio pessoal do Borel, mas coisa normal de futebol e tudo acabou bem. Subimos as ruas acompanhando o time vencedor, com suas medalhas e troféus, gritando: É campeãããoooo!!!!

Dama com pedras do chão. Criatividade a serviço da alegria


Caretas...rs

PONTO BAIXO
A derrota do São Paulo Futebol Clube na Libertadores…
PONTO ALTO
Em nosso momento de reflexão bíblica e conversa, o Fabricio sugeriu que cada um pensasse em sua própria “cena do dia”. Depois de um pouco de silêncio, ouvimos vários relatos. Sabemos que essas histórias têm sedimentado a ação do Espírito em nós e através de nós. Todos temos muitas histórias pra contar e sabemos que o Espírito terá o que colher depois desses dias aqui.

Tudo junto e misturado!

CENA DO DIA (Por Any Ribeiro)

Casa e família são dois termos que ganham espaço no meu coração sempre. Estar no Borel significa estar em casa, em família; amo tudo isso. São muitas expressões de carinho, tantas que me sinto constrangida. Olho nossas crianças e adolescentes tão vulneráveis à violência, à pobreza, à situações de risco, que mesmo no curto espaço de tempo de uma semana, me alegro, pois elas estão debaixo dos nossos olhos e cuidados; recebendo afeto e atenção.
Duas coisas marcaram meu dia. A recepção das crianças e as expectativas dos adolescentes. Fazemos parte da história de vida deles; o contrário também é verdade. Não mudamos a realidade, mas sinalizamos o Reino. Caminhamos juntos na construção de um sonho; um lugar de justiça, onde todos somos iguais.
Não é apenas mais um projeto, é uma parceria com o Grande Rei, uma aliança que durará a vida inteira. Percebo Deus através das pessoas. É possível ver Jesus, senti-lo das mais diversas maneiras. Ele passeia entre nós. Sorri conosco, chora com a gente, e celebra. Estamos colorindo o mundo de Deus, e é muito bom ser parte daquilo que Deus está fazendo na história. É lindo de ver e experimentar.

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Segundo Dia – 27 de julho

Rio de Janeiro, 27 de julho de 2010.

DIÁRIO

Passado o primeiro dia, o nível de ansiedade diminui, principalmente para a liderança e aqueles que estão aqui pela primeira vez.
Tomamos café juntos. O assunto de todas as mesas era a segunda-feira. Mesmo para os que estão aqui pela terceira ou quarta vez, o impacto é significativo, principalmente quando comparamos a realidade onde estamos com a em que vivemos. Inclusive esse foi o tema que permeou nosso devocional da noite, dirigido pelo Reinaldo Júnior.
As ações aconteceram simultaneamente nas duas comunidades, Chácara do Céu e Borel, como ontem. Para nós já é uma comunidade só e, na medida em que tratamos as pessoas das duas com o mesmo amor, eles mesmos se vão percebendo pessoas iguais, submetidas a uma cultura de rivalidade sem nenhum propósito ou mesmo consenso.
Descemos o salão de beleza e, como de costume, lotou o tempo todo, a ponto de atrasarmos em uma hora a descida para o Seminário.
Na medida em que as ações vão acontecendo, a comunidade se familiarizando com nossa presença, nós vamos baixando o nível de ansiedade, as coisas começam a acontecer de forma muito natural. Entre um atendimento e outro, conversas profundas, desabafos, estórias tristes contadas ao pé do ouvido, crianças que relatam suas realidades duras, mulheres que choram sua dor contida, sorrisos que são oferecidos sem nenhuma timidez, abraços que vão se tornando mais pessoais e demorados.
E assim vai mais um dia…

E.B.F.


Fim da E.B.F. Chácara
Pausa para o almoço

AÇÕES

• Salão de Beleza – atendemos mais de 150 mulheres no “Terreirão”, o centro do Borel. O Wanderley, nosso voluntário parceiro, dono do salão mais nobre do bairro da Tijuca, havia combinado conosco que só atenderia na segunda. Decidiu voltar hoje também e nos contou que quando estava saindo do salão, 7 funcionárias pediram liberação para virem com ele. E o melhor é que já prometeram que voltarão amanhã. Em momentos assim vemos quem faz as coisas por ocupação ou por vocação. Wanderley é vocacionado;
• Oficinas – as oficinas de biscuit continuam. Hoje tivemos a presença de um rapaz que, depois de ouvir tantos comentários da namorada, decidiu fazer a oficina também;
• E.B.F.’s – continuam pela manhã na Chácara do Céu e à tarde no Borel. Conhecemos um menino na Chácara chamado Lucas. Tem 5 anos, tamanho de 3 e fala de 2. Sempre chorando e de rosto fechado. Na hora de irmos embora hoje, ele agarrou um de nós. Não disse nada verbalmente, mas seus olhos e seu abraço eram o convite para ficarmos. Só deixou-nos ir quando teve a certeza que voltaríamos na quarta;
• Meio-ambiente – dois de nossos voluntários têm formação nessa área, o Samuel e a Maytê. Reuniram-se ontem com toda liderança da comunidade, inclusive o comandante da Polícia Militar da região. Ouviram muito e sugeriram várias ações. Hoje, fizeram uma caminhada pelo morro, visitando os locais de maior incidência de doenças por conta da aglomeração de lixo;
• Reforma na creche – alguns de nosso meninos ajudam no transporte do material que será usado na reforma da Creche Semente. A JOCUM precisa de vinte e cinco mil reais para a conclusão da reforma. Alguém quer investir???
• Dentista – Pedro continuou seus atendimentos nos dois períodos do dia. Atendeu, inclusive, uma jovem que não tinha os dois dentes da frente em boas condições. Devolveu a ela o sorriso, o cartão de visitas de qualquer pessoa;
• Campeonato de Futebol – iniciamos o campeonato de futebol entre as duas comunidades no campo da Chácara do Céu. Amanhã será no Borel.

Reunião com lideranças da comunidade

E.B.F.


Sorrisos


Professor "Téo"
Tia Any

Tia Any


Teatro de Fantoches

PONTO BAIXO
A escola pública do asfalto, o Brizolão, não liberou sua quadra para o campeonato alegando que seria muito arriscado atender duas comunidades no mesmo local. Só liberariam com a presença da Polícia, o que aumentaria o clima de tensão e rivalidade. Não aceitamos.
PONTO ALTO
Decidimos começar o campeonato no campo da Chácara do Céu. Mais de 40 pessoas do Borel subiram para jogar ou assistir. Ficamos muito apreensivos. Começamos com uma conversa bem detalhada com todo mundo. Vítor já havia conversado com os líderes da Chácara, que estavam bem arredios e contaram algumas histórias de confrontos passados. A líder do centro comunitário terminou a reunião dizendo: “se conseguirem juntar as duas comunidades num campeonato e tudo correr bem, vocês estarão num momento histórico”. Pois bem, foi isso que vivemos à tarde. Um campeonato tranqüilo que terminou com todos se abraçando. Ouvimos os que estavam arredios combinando o horário para descerem amanhã para a continuação do campeonato, no Borel dessa vez.

Sorrisos

Chácara do Céu

CENA DO DIA (por Fabricio Cunha)

Eu trouxe a Sophia de propósito. Nossa vida em São Paulo é muito tranqüila e certinha e eu queria que ela tivesse experiência desde cedo com realidades diferentes da nossa. No domingo à noite ela me procurou dizendo que não queria participar da E.B.F. e eu sabia o porquê. Insisti que ela deveria participar e ela obedeceu.
Na segunda ela conheceu a Ingrid, uma menina de 11 anos, que parece ter a idade dela. Passaram a manhã toda da segunda-feira juntas. Na noite da segunda, Sophia me perguntou se nunca mais veria a Ingrid. Eu disse que veria sim, durante toda essa semana. Ela me disse: “só pai? Só uma semana? Não é justo eu fazer uma amiga e só vê-la numa semana.”
Na manhã da terça ela me acordou às 6h30 dizendo que estávamos atrasados pra E.B.F.. “Pai, quero ver logo a Ingrid”. Subimos umas 8h45. Pedi pra ela me apresentar a amiga. Vieram acompanhadas de um pequeno menino. “Esse é o Kevin, pai. Ingrid cuida dele para a mãe trabalhar. Ele não é fofo?” me disse Sophia. Minha garganta embargou. Para a Sophia, aquele menino era como um boneco, para Ingrid, ele era uma responsabilidade. Continuei observando os três brincando. Não sei como é a realidade diária da Ingrid mas, naquele momento, Ingrid, Kevin e Sophia eram três crianças brincando. Três crianças iguais, fazendo coisas de criança, vivendo como criança, brincando como criança. Não sei como será na semana que vem, mas nesses dias a infância da Ingrid foi devolvida. A da Sophia também. Obrigado Senhor, mas isso é tão pouco…

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Primeiro Dia – 26 de julho

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2010.

DIÁRIO

Acordamos mais cedo hoje para montarmos a estrutura das ações. Temos uma novidade esse ano, além da comunidade do Borel, atenderemos também os irmãos da Chácara do Céu, uma comunidade que fica no extremo do morro, separando o Borel do Morro Casa Branca.
Saímos muito empolgados do Seminário Batista do Sul do Brasil, onde estamos hospedados, principalmente os que estão aqui pela primeira vez e que ficaram bem impressionados ontem depois de conhecerem a comunidade.
O clima no morro é totalmente diferente depois da chegada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). O clima de ordem é patente e altera a rotina do morro, ou melhor, a ex-não-rotina. Tudo está mais limpo, organizado e menos marginal. De fato organizar o caos faz muita diferença.
Os que já vieram outras vezes, sentem-se em casa. Reencontram velhos amigos, conversam com muitas pessoas chamando-as pelo nome, perguntam de contingências do passado. Alguns de nós parecemos fazer parte da comunidade. Isso é fruto de uma parceria consistente que se transformou em relacionamento e, claro, fruto de uma presença espiritual que transcende realidade, geografia e presença.
Pois é, nossos pés estão no morro!!!

Neto, líder da base da Jocum Borel


Alunos da escola Bom Tom se apresentam pra nos receber



AÇÕES

• BELEZA – o salão aconteceu na Chácara do Céu, onde atendemos mais de 100 mulheres com serviços de depilação, corte, alisamento, tintura, relaxamento, escova e unhas. A Dona Maria chamou a atenção das meninas depois de ser atendida: “viram agora como eu sou bonita?!”
• E.B.F. (Escola Bíblica de Férias) – recebemos um grupo de quase 100 crianças na Chácara do Céu pela manhã, que ouviram o Dr. Teológico contar a história da criação do mundo. À tarde a E.B.F. foi no Borel e, além das histórias, começamos a gincana infantil;
• ARTESANATO – A Késsia deu sua primeira aula sobre “biscuit”. Aprender a fazer esses artesanatos pode ajudar as mulheres do Borel a reforçarem sua renda.
• DENTISTA – O Pedro Horvath já atendeu várias pessoas. Um dos atendidos foi um menino de 12 anos, que não tinha um dos dentes da frente e saiu com seu sorriso branquinho e perfeito.

Alegria no Pr. Rogério na preparação da E.B.F.


Preparando a E.B.F.


E.B.F. Chácara do Céu


Enquanto se serve, também se diverte

Preparando a E.B.F.


A beleza da alegria


Deles é o Reino dos Céus



E dá-lhe escadas
Nosso parceiro, Wanderley, dono do salão Irmãos, na Tijuca

Salão de Beleza

PONTO BAIXO
Perguntar a idade de crianças que pareciam ter 7 anos e, na verdade, têm 11 ou 12.

PONTO ALTO
Testemunho do Pr. Maurício, pastor da Igreja Batista Peniel, uma de nossas parceiras desde a primeira viagem. Ele disse que nosso testemunho desde 2008 o motivou a começar um projeto parecido. E ele começou a fazer isso no final do ano passado e já atendeu 4 cidades com mais de 100 voluntários em cada viagem.

Hora da história

Atores do teatro infantil

CENA DO DIA

Ver irmãos da comunidade do Borel subindo para servir aos irmãos da Chácara do Céu. Entendam amigos. Essas comunidade eram rivais por conta de facções de tráfico diferente que as lideravam. Há muitos anos não havia nenhum tipo de intercâmbio entre elas.
Hoje, ver o pessoal do Borel subindo para servir à Chácara do Céu foi muito especial e marcante.
Jesus é especialista de desfazer rivalidades, quebrar muros e reaproximar os separados através do amor, cuja porta de entrada é o serviço.
Começamos o dia orando de mãos dadas, como um símbolo singelo daquilo de maior que nos une.

Vista do lado direito da Chácara do Céu

A parte masculina da equipe

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Memória – Pé no morro 2009

No ano passado, durante duas oportunidades os jovens da IBAB estiveram no Morro do Borel.

Acompanhe como foi em Julho e depois em novembro.

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